O Mercado Livre e o Mercado Pago tornaram-se canais essenciais para empreendedores, lojistas e prestadores de serviços que dependem do marketplace para vender e do meio de pagamento para receber.
Quando ocorre suspensão, limitação, bloqueio de conta ou retenção de valores, o impacto costuma ser imediato: vendas travadas, reputação prejudicada, operação interrompida e caixa comprometido.
Em diversos casos, o bloqueio aparece com motivações genéricas, sem clareza sobre o que precisa ser corrigido ou sem um caminho efetivo para resolução. Nesses cenários, pode haver medidas administrativas e, a depender do caso, medidas judiciais para buscar:
Importante: cada caso depende do motivo do bloqueio, histórico da conta, documentação e provas disponíveis, e do entendimento do juízo competente.
Você pode estar vivendo um destes cenários:
Conta do Mercado Livre suspensa/limitada (impossível vender, anúncios derrubados);
Conta do Mercado Pago bloqueada (limite para movimentar/receber);
Saldo retido (valores não disponíveis, mesmo após entregas e confirmações);
Anúncios pausados + queda de reputação/qualificação;
Solicitação de documentos (KYC) e retorno inconclusivo;
Alegações genéricas de “atividade incomum”, “segurança”, “suspeita de fraude” ou “violação de política”.
As plataformas costumam justificar bloqueios por supostas violações de termos e políticas, como:
Análise de segurança e bloqueios preventivos;
Inconsistências cadastrais (titularidade, KYC, divergências PF/PJ);
Reclamações, cancelamentos, mediações e índices de performance;
Suspeitas de fraude, chargeback/contestação, risco transacional;
Uso considerado inadequado de funcionalidades do Mercado Pago;
Divergências de origem de estoque, notas fiscais, logística/entrega.
O problema prático é que, em determinadas situações, o vendedor recebe mensagens genéricas e não consegue compreender com exatidão o que corrigir, nem obter resposta efetiva em prazo compatível com a urgência do negócio. Dependendo do caso, isso pode ensejar discussão sobre boa-fé, transparência, dever de informação, proporcionalidade da medida e impacto econômico.
1) Confirme o “tipo de bloqueio” (isso muda tudo)
É Mercado Livre (venda/anúncios) ou Mercado Pago (pagamentos/saldo) ou ambos?
É suspensão total, limitação, restrição de saques ou “em análise”?
Existe prazo indicado pela plataforma? Há e-mail formal explicando?
Salve/organize:
Prints da tela do bloqueio/aviso;
E-mails recebidos (com data e hora);
Protocolos de atendimento/chat;
Tela de saldo retido e extratos (com datas);
Listagem de vendas/pedidos e status de entrega;
Reclamações/mediações e respostas enviadas.
Abrir múltiplos chamados repetidos com informações desconexas;
Enviar documentos incompletos/ilegíveis ou divergentes;
Alterar titularidade às pressas (PF↔PJ) sem orientação;
Mensagens agressivas/ameaças no primeiro contato (reduz colaboração).
Quando você fala com suporte, a diferença entre “ficar preso no padrão” e “andar” costuma ser documentação + narrativa cronológica.
Você precisa, em linhas gerais:
Explicar o ocorrido com datas;
Indicar que possui documentação de titularidade, origem e comprovação de entregas;
Solicitar clareza do motivo e o que exatamente corrigir.
Em alguns casos, especialmente quando há:
retenção de valores relevantes,
risco de quebra de operação,
comprometimento de folha/fornecedores,
bloqueio prolongado sem solução,
ou ausência de indicação clara do que regularizar,
pode ser cabível avaliar medida judicial, inclusive com pedido de tutela de urgência (liminar), desde que presentes os requisitos legais e com prova mínima bem organizada.
Abaixo está um checklist que aumenta significativamente a qualidade da análise e a chance de uma abordagem eficaz.
Documento oficial com foto (RG/ CNH);
Comprovante de residência;
Comprovante de titularidade da conta bancária vinculada (quando aplicável);
Prints do bloqueio e e-mails da plataforma;
Extrato/tela do Mercado Pago com saldo retido (se houver);
Relação de pedidos e comprovação de entregas (quando aplicável);
Evidências de origem do produto/serviço (notas, recibos, fornecedores, etc., conforme o caso).
Cartão CNPJ e contrato/alterações contratuais (ou equivalente);
Documentos dos sócios/administrador e comprovação de poderes;
Comprovante de endereço da empresa;
Notas fiscais (emitidas e/ou de compra/fornecedores, conforme o produto);
Extratos/telas do Mercado Pago e relatórios de transações;
Histórico de pedidos/entregas e eventuais contestações;
Prints do bloqueio e e-mails/protocolos.
Uma linha do tempo simples (data do bloqueio → contatos → respostas);
Lista de vendas afetadas e impacto operacional (sem exageros, com dados);
Provas de boa-fé: entregas realizadas, suporte ao cliente, estorno quando cabível;
Organização em PDF único por tema (cadastro, vendas, pagamentos, entregas).
Na maioria dos casos, sim! A via judicial pode ser considerada quando houver elementos como:
bloqueio/limitação com justificativa insuficiente;
retenção de valores por período que gere risco concreto ao negócio;
ausência de canal efetivo de solução apesar de tentativas documentadas;
indícios de medida desproporcional em relação ao risco alegado;
impacto relevante e comprovável (ex.: pedidos parados, caixa travado, reputação).
A medida judicial, quando bem instruída, pode buscar:
obrigação de fazer (reativação / restabelecimento de acesso);
liberação de valores retidos (quando cabível);
proibição de práticas abusivas específicas (conforme o caso);
e, se aplicável e comprovado, reparação por danos materiais (danos emergentes e lucros cessantes) e danos morais.
Observação técnica: a viabilidade de indenização depende de prova, nexo causal e contexto; não é automática e varia muito.
A tutela de urgência (liminar) é um pedido emergencial que pode ser utilizado quando há probabilidade do direito e perigo de dano (ex.: risco de colapso financeiro da operação, retenção indevida, impossibilidade de operar, impacto imediato).
Na prática, a chance melhora quando:
você tem provas objetivas do bloqueio e do saldo retido;
há tentativas de solução registradas (protocolos/e-mails);
há documentos de titularidade e regularidade;
o prejuízo é demonstrado com dados (e não apenas narrativa).
O Melo Moreira Advogados atua com foco em Direito Digital e casos envolvendo plataformas, marketplaces e meios de pagamento, apoiando clientes em:
Estratégia administrativa (dossiê + comunicação técnica com a plataforma);
Avaliação de viabilidade e riscos;
Medidas judiciais para reativação/liberação de valores (quando cabível);
Estruturação de provas para sustentar urgência e reduzir objeções.